ANTONIO   SALAVERRY

 

VEIA URBANA

Fotografias Digitais impressas com Pigmento Mineral em Papel de Algodão em tamanho 60x45 cm

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"O processo de desenvolvimento urbano é uma das atividades mais nobres do mercado imobiliário. É a transformação do pasto em lotes, das fazendas em bairros, remodelação do solo rural para fins urbanos como ruas, praças e terrenos que futuramente sustentarão construções.”

O fragmento de texto acima surge da busca pelo termo “urbanização”. A ótica do mercado imobiliário converge na ideia de que o desenvolvimento contínuo do capitalismo se dá rumo a uma vivência mais produtiva e mais feliz, em oposição à vida nas áreas rurais.

No entanto, esse discurso de que o espaço construído tem mais valor perpetua uma dinâmica insustentável de aceleração desenfreada do processo urbanizatório e a consequente desconexão das pessoas com os ambientes naturais, criando um mito de separação entre artificial e natural, mente e natureza.

As cidades como uma herança cultural do mundo ocidental europeu são uma forma do homem se defender de um meio hostil, a natureza, a partir de um ambiente construído. Mas à medida que esses centros foram crescendo, veio a necessidade da criação de parques como espaços amenizadores da estrutura urbana, seja por uma questão de saúde e aumento da qualidade de vida, ou para apreciação estética.

Ainda assim, nas metrópoles brasileiras não há uma verdadeira integração dessas ilhas verdes com o resto das cidades e com a maioria da população. Fora desses fragmentos de florestas, há apenas vestígios da flora restringida pelo desenvolvimento dos centros urbanos, o que consolida essa relação de dominação e, em última análise, acaba por restringir, sobretudo, o nosso bem-estar.

As imagens que busco ao caminhar pelos espaços brasileiros trazem à luz essa estranha dicotomia entre natural e urbano, questionando o próprio conceito de cidade para repensar a relação entre o homem dominador e os indícios da natureza subjugada.